No dia 4 de abril, o mundo volta seus olhos para uma questão urgente e muitas vezes invisibilizada: os animais em situação de rua. Criada por organizações holandesas, a data busca conscientizar sobre os desafios enfrentados por milhões de cães e gatos abandonados e incentivar ações concretas de acolhimento, adoção e políticas públicas para garantir o bem-estar desses animais.

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Números alarmantes

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), há mais de 200 milhões de animais em situação de rua no mundo. No Brasil, cerca de 30 milhões de cães e gatos vivem abandonados. O abandono expõe os animais a fome, doenças, maus-tratos e acidentes, além de impactar o meio ambiente e a saúde pública.

O abandono é um problema social e de saúde pública

Para Vitor Tranzillo, especialista em consultoria para pets, ativista animal e idealizador do Gataiada Podcast, a questão vai muito além do abandono individual. “O abandono de animais não é apenas uma questão de negligência individual, mas um problema social e de saúde pública. Cada animal que vemos nas ruas foi, em algum momento, vítima da irresponsabilidade humana. Precisamos mudar essa realidade com educação, políticas públicas eficazes e incentivo à adoção responsável”, reforça.

Castração: uma a chave para reduzir o abandono?

O controle populacional é uma das estratégias mais eficazes para evitar que mais animais sejam abandonados. Como explica Vitor. “A castração é uma das medidas mais eficazes para reduzir a população de animais em situação de rua. Sem controle reprodutivo, uma única cadela pode gerar dezenas de descendentes ao longo da vida, muitos dos quais acabarão abandonados. Apoiar programas de castração gratuita e conscientizar a população é fundamental”, ressalta.

A importância das leis contra maus-tratos

A advogada e ativista da causa animal Ana Rita Tavares reforça que a legislação brasileira vem evoluindo para punir os maus-tratos, principalmente a violência voltada aos animais em situação de rua. “Hoje temos uma legislação que criminaliza maus-tratos e prevê punições mais severas, especialmente para cães e gatos. Antes, a pena era de dois meses a um ano de detenção e multa. Agora, pode chegar a até cinco anos de reclusão, além da perda da guarda do animal”, pontua.

Entretanto, apenas punir não resolve o problema. Como destaca Vitor. “O Brasil tem avançado em leis contra maus-tratos, mas ainda falta investimento em políticas de acolhimento e proteção animal. Precisamos de centros de adoção bem estruturados, campanhas de conscientização contínuas e incentivos para que mais pessoas adotem e cuidem dos animais com responsabilidade”, finaliza.

Como você pode ajudar?

Nem todo mundo pode adotar um animal, mas há várias formas de fazer a diferença. Ana Rita Tavares destaca algumas ações simples e eficazes:

✔ Adote um animal abandonado – Se puder, ofereça um lar para um pet em situação de rua.

✔ Ajude uma ONG – Doações de ração, medicamentos e material de limpeza são sempre bem-vindas.

✔ Divulgue animais para adoção – Muitas vezes, compartilhar um post pode mudar o destino de um pet.

✔ Ofereça água e comida – Pequenos gestos podem salvar vidas.

✔ Denuncie maus-tratos – Quem presencia agressões ou abandono deve acionar as autoridades competentes.

Ainda é possível mudar essa realidade

O Dia Mundial dos Animais em Situação de Rua é um convite para que todos reflitam sobre o impacto das suas escolhas e a responsabilidade que temos como sociedade. Afinal, cães e gatos não pediram para viver nas ruas – mas nós podemos mudar essa história. Seja adotando, ajudando uma ONG ou apenas garantindo um prato de comida para um animal de rua, cada gesto conta.