Elas carregam no olhar a força de quem já enfrentou desafios e, na voz, a determinação de quem não se deixa silenciar. Mais do que um mês de homenagens, março é um convite para conhecer histórias reais de mulheres que transformam o mundo ao seu redor — seja liderando equipes, inovando na educação ou equilibrando diferentes papéis sem perder de vista seus sonhos. Neste especial, acompanhamos as trajetórias de Bruna Santiago e Hevelynn Franco, duas mulheres que provam, na prática, que o impossível pode ser apenas uma questão de opinião.

Hevelynn Franco: educação, ciência e representatividade

Nascida em uma família humilde, Hevelynn Franco aprendeu desde cedo que a educação seria sua maior ferramenta para transformar o próprio destino. Doutora e mestra em biotecnologia, ela enfrentou desafios e preconceitos ao longo da jornada acadêmica, mas nunca perdeu de vista seu propósito: abrir caminhos para outras mulheres na ciência. Para Hevelynn, o Mês da Mulher é uma oportunidade de homenagear sua ancestralidade, suas referências femininas e reafirmar o seu papel na sociedade.

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“O Mês da Mulher é de grande importância histórica e social, que vai além de simples homenagens. Quando penso em março, sempre reflito sobre minha ancestralidade. Penso em minha bisavó, que nasceu em um tempo onde mulher não herdava, não decidia e mal podia assinar o próprio nome. Penso na minha avó, que lutou muito para ser independente, mas cresceu acreditando que seu destino era casar e servir. Penso na minha mãe, que engravidou aos 15 anos e enfrentou preconceitos para me criar. Me sinto na obrigação de honrar todas essas mulheres, porque nenhuma luta foi em vão”, destaca.

Uma jornada de superação

A educação tem o poder de mudar destinos, abrir portas e transformar realidades. Para a doutora em biotecnologia, conhecimento é a única ferramenta capaz de construir um futuro melhor. “Eu não nasci de família rica. Cresci acompanhando o sufoco dos meus pais para nos educar e sempre soube que a única forma de tentar um futuro melhor era me qualificar. Fui fruto da escola pública, aproveitei todas as oportunidades que surgiram e nunca deixei de estudar. Hoje, como professora e orientadora de projetos científicos, faço questão de incentivar outros jovens a acreditarem no poder da educação”, pontua.

Mulheres na academia: desafios e oportunidades

Em sua opinião, o caminho das mulheres na academia ainda é marcado por desafios e desigualdades. Apesar dos avanços, a luta por reconhecimento e equidade continua. “Ainda enfrentamos desafios para sermos reconhecidas na área acadêmica. Mesmo com a mesma qualificação que os homens, muitas vezes não temos o mesmo reconhecimento. Mas seguimos avançando e quebrando barreiras”, explica, Hevelynn.

Um conselho para outras mulheres

Para a doutora, acreditar em si mesmo é o primeiro passo para transformar sonhos em realidade. O caminho pode ter desafios, mas cada aprendizado é uma oportunidade de crescimento. “Não existem limites para o que você pode alcançar. Seus sonhos são válidos e você tem o poder de torná-los realidade. Erre, aprenda, evolua. E, acima de tudo, estude. A educação é a ferramenta que abrirá portas e permitirá que você construa o futuro que deseja”, conclui.

Bruna Santiago: liderança, maternidade atípica e a busca por equilíbrio

Diretora de Qualidade na Rede SAC, Bruna Santiago construiu sua carreira com resiliência e propósito. Sua trajetória é marcada pela dedicação à excelência no trabalho e pela vivência como mãe atípica, que redefiniu sua visão sobre inclusão e diversidade.

“Ser mãe de uma criança autista mudou completamente minha forma de enxergar o mundo. Meu filho me ensina, todos os dias, sobre paciência, empatia e a importância de olhar além do óbvio. Aprendi que inclusão não é só sobre discursos ou políticas bem-intencionadas, mas sobre criar, de verdade, um ambiente onde cada pessoa se sinta acolhida e respeitada pelo que é. Muitas vezes, as pessoas só querem ser compreendidas sem precisar se encaixar em padrões que não fazem sentido. Essa experiência me fez priorizar uma liderança mais humana, onde cada um tenha espaço para ser quem realmente é, sem medo de julgamento”, afirma.

Mulheres na liderança: como avançar?

A presença feminina na liderança ainda enfrenta desafios, Bruna acredita que o caminho para a equidade passa pela autoconfiança, qualificação e apoio mútuo. “Acreditar em si mesma, se qualificar, se posicionar e ter uma boa oratória são essenciais. Sei como é difícil, porque já duvidei de mim muitas vezes. Precisamos ocupar espaços sem medo e, ao mesmo tempo, construir ambientes onde outras mulheres também possam crescer. A jornada não é fácil, mas vale a pena quando olhamos para trás e vemos o impacto que causamos. Quando mulheres se fortalecem e se apoiam, toda a sociedade avança”, contextualiza.

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Mulheres que inspiram

Inspiração muitas vezes vem de perto, de mulheres que nos mostram, pelo exemplo, a força da resiliência e do amor, é o que a diretora ressalta ao falar sobre suas musas inspiradoras.  “Minhas maiores referências sempre foram minha avó e minha mãe. Elas me mostraram que, mesmo com pouco, é possível dar o melhor. Minha avó me ensinou a importância do trabalho e minha mãe sempre acreditou no meu potencial. O legado delas é a prova de que a verdadeira força está na coragem de continuar”, diz.

Quando perguntada sobre qual conselho daria a outras mães que querem crescer profissionalmente, Bruna é cirúrgica. “Seja gentil consigo mesma e arrisque. Sei que a culpa aparece, o cansaço pesa e, às vezes, parece impossível conciliar tudo. Mas a verdade é que não existe um único modelo de sucesso. Faça o que funciona para você e sua família, sem se comparar com os outros. Crescer profissionalmente não significa abrir mão da família, mas sim encontrar formas de equilibrar esses dois mundos”, finaliza.

Essas são apenas duas entre tantas histórias que fazem do Mês da Mulher um momento de celebração, mas também de reflexão. Porque cada passo dado por elas abre caminho para tantas outras. E a luta continua.